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Sob estas flores de jasmim. No meio dos ciprestes… Te dou todos os meus livros, e todos os seus mistérios… 27/07/2008

Posted by Sindarin Princess in Sem-categoria.
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Sob estas flores de jasmim. No meio dos ciprestes… Te dou todos os meus livros, e todos os seus mistérios…Interprete-os, se fores capaz ….
- Do que você tem medo?

Lembro-me daquele moço tocando sua gaita em meio ao centro dessa metrópole da qual me encontro. Era um destes artista pairando (perdido?), pela cidade.
Me chamara atenção, pois ele segurava com tanta estima seu instrumento, que me fizera ficar paralizada diante de tamanha formosura.
Observava suas mãos percorrer por aquele singelo instrumento, transmitia tanto sentimento que era impossível desfocar os olhos.

De pé alí parada, eu sorria com os olhos e aplaudia com o coração, áquela que até então, era uma desconhecida, canção.
Ele tocava com os olhos fechados, e quando em relance os abria, olhava no fundo dos meus.
Eu ficaca toda desconsertada, simulava gestuais, mexia nos cabelos, para parecer menos… ( hipnotizada?)

Ao fim do espetáculo, alguns aplaudiram com palmas, e eu continuara alí, sem querer ser notada, contemplando a arte daquele momento, da forma como lhes relatei acima. Apesar de por fora parecer introspectiva, por dentro; vibrava! Ah! E como vibrava!!!

Quando as pessoas se foram, me aproxímei daquele moço de olhar hostil E disse- lhe:
- Parabéns!
Ele me olhou, e esboçou um sorriso de satisfeito! E disse= me?:
- Você gostou? Parecera estar muito longe…
( mal sabia o quão perto da musicalidade emitida por ele estava)
- Sim, gostei, insondávelmente.

Então, abri um sorriso nos lábios, e dos meus olhos escorreram gotas de lágrimas… Ele disse:
- Se gostou, então por quê choras, menina?
Respondi:
- A forma como você tocou, a maneira que se portou diante do seu instrumento, a forma como suas mãos deslizavam com tanta intimidade e paixão por este, que é um instrumento tão simples, emitiu um som agradável, tão puro… Que me emocionou!

Ele ficou quieto, fez acenos com os olhos para o alto, respirou tão baixinho e suave… E me olhou profundamente… Me olhava intensamente
( aquilo me estremecera dos pés á cabeça!!!)

Depois daquele silêncio compartilhado, com a voz branda me disse:
- Você é um alguém assim… Como… Eu.

Áquelas palavras me assustaram! E disse-lhe:

- Eu? Ora! Não, não possuo tal dom de arte em minhas mãos! Você viu, sou como os outros que aqui estavam, apenas mais um rosto perdido (achado?), na multidão.

Ele pediu que eu esperasse um momento, se virou, abriu uma bolsa, velha, surrada… E pegou algo que por vez, parecia estar empoeirado.
Voltou-se em minha direção, e :
- Pegue, isso te pertence.
Eu disse:
- Não, como haveria de ser meu?
- Pegue, menina, é teu e estava esperando por você.
- Não, eu não posso, não quero, obrigado!

Logo me disse:
- Do que você têm medo? Apenas tente um pouco, apenas tente…

Tais palavras me deixaram sem reação, me senti como um pequeno rio indo de encontro ao mar… Estiquei minhas mãos calmamente, e peguei. Fixei meu olhos, e eis que em minhas mãos fora entregue um livro que contera poesias… Sim, poesias meus caros.

- Oh! Um livro de poesias, quão adorável e essencial para eu elas são!!
O moço sorriu encantadoramente e disse:
- Eu sei.
- Sabe?!
- Sim, eu te conheço apesar te termos sido apresentados hoje pelo acaso… Você me parece como elas, as poesias.
Todas que eis escritas, são de minha autoria, e só de meu conhecimento. Estavam guardadas há muito tempo, esperando este momento.
- Este momento?
- É, menina. Elas estavam mortas, guardadas, empoeiradas pelo esquecimento. E hoje, quando você se aproximou de mim, enquanto tocava, vi este livro ser aberto pagína por pagína diante dos meu olhos.
Eu as escrevi, sempre soube que seriam para alguém que “desconhecera”, mas que no entanto, sabia que existia em alguma parte desse mundo.
Elas estavam esperando por você.

- Vocé é um humano? Não pode ser, humanos são tão…Tão limitados, repetitivos, e pouco atraentes, a grande maioria, despresíveis.
- Mas você, moço da gaita, não fala e nem parece como eles…Você me parece algo como…Um despertar!
- Sabe quando você sonha e acorda, naquele exato momento em que você ainda não consegue distinguir em que estado se encontra? Essa sensação me causa você!

- Agora me diga, como posso eu lhe agradecer por tamanha alegria?!

Ele respirou e entoou:

- Vá, menina, vá e dê folêgo de vida as poesias que estão escritas neste livro.
- Vá, e não as deixe que morram outra vez… Não deixe que alguém as feche e coloque numa estânte empoeirada. Pois elas, escritas, e sózinhas, podem se tornar nada.
Mas algo certeiro lhe digo:
- Elas, escritas, e nas mãos de uma menina que sente como você, podem ganhar o mundo… O Seu mundo, elas só existirão, se você as fizerem existir.
Elas são suas, tão quão sei que você é delas.

Passei minhas mãos pelo livro, de fato havia poeira sobre ele… Fui passando minhas mãos delicadamente e limpando… Aquele livro foi, então, clareando- se diante de mim…
Ergui meus olhos aos quatro cantos do céu e respirei o ar mais puro que nunca… (se é que alguém dentre nós pode compreender o que tento eu, aqui, neste breve relato, dizer, quando digo: quatro cantos do céu)

- Eu não te conheço, mas você me compreende perfeitamente.
- Ora, menina! Não digas que não me conhece, você, em seus devaneios, delirios e realismo, implorou para que eu surgisse, ou me engano eu? me engano?

- Moço da gaita mágica! Que agora és tão estimado por mim. Você não sabe quem eu sou, nem eu mesma me conheço por inteira. Você se conhece por inteiro ?!

- Então, quem é você, menina da pele clara e olhar cativante ?
- Eu sou quem eu me permito ser.
- Me dê sua mão, deixa eu te mostrar meu mundo?

Ele deu um passo para trás…Misteriosamente me olhando…

Então, lhe disse:

- Do que você tem medo? Apenas tente… Apenas…

-Ah, criança!

(Thatyana Santos )

Comentários»

1. Oscar - 06/03/2009

Tatiana Tatiana…. a cada parágrafo desse relato, me arrancou um suspiro =), o tempo pode passar bruscamente no exterior das pessoas… na vida, mas fico feliz, que por dentro de ti, ele passe levemente, e te guarde com essa inocência.